Plural vê 2019 mais positivo para o setor de downstream

Em entrevista, presidente-executivo da Plural fala sobre os desafios de 2018 e principais objetivos para este ano.

Em dezembro de 2018, a Plural comemorou seu primeiro ano como associação setorial, em um período intenso para o setor de distribuição de combustíveis. O formato de câmaras setoristas trouxe flexibilidade e inovação nas relações com associados e públicos de interesses, dinamizando o trabalho para promover um ambiente de negócios equilibrado, que garanta segurança aos investimentos, principalmente, em infraestrutura.

Leonardo Gadotti, presidente-executivo da Plural, comenta em entrevista quais foram os principais desafios de 2018 e quais serão os esforços necessários para continuar beneficiando e defendendo o setor.

Como a Plural avalia o ano de 2018 para o setor, especialmente o impacto da greve dos caminhoneiros?

O ano de 2018 foi bastante desafiador para o setor, pois combinou a desaceleração econômica com a paralisação dos caminhoneiros. Os efeitos da greve foram ainda mais severos para o mercado brasileiro de combustíveis pois, além da própria falta de suprimento dos produtos, também afetaram a economia brasileira no pós-greve.

Com isso, no comparativo com 2017, a comercialização de combustíveis ficou estável, com uma leve recuperação, de 1,6%, do diesel. Mesmo com o crescimento de 42,1% do consumo de etanol hidratado, o consumo dos combustíveis do ciclo Otto ficou no mesmo patamar do ano anterior.

Olhando em retrospecto, é possível entender as razões da crise no setor de transportes. O desequilíbrio no setor decorreu de incentivos ao financiamento de caminhões, os quais levaram ao crescimento da frota circulante a uma taxa superior ao crescimento médio do país, gerando sobre capacidade no mercado e derrubando os fretes.

Neste cenário, como a Plural atuou para a resolução da crise?

A greve dos caminhoneiros mostrou para toda a sociedade o quanto os combustíveis são essenciais para o funcionamento do país e para o bem-estar da população. Os efeitos no cotidiano das cidades e empresas, além do impacto econômico, foram significativos.

Por esse motivo, empreendemos todos os esforços necessários para que a normalização do abastecimento ocorresse no menor tempo possível. As ações da Plural e nossas associadas permitiram que a distribuição fosse reestabelecida em cinco dias.

Apesar da necessidade de manter o mercado funcionando, também é preciso destacar a importância dessas medidas para a vida do consumidor, um dos mais afetados pela crise gerada pela paralisação.

O cenário para este ano é mais positivo? Quais os principais caminhos que a Plural vê em 2019 para que o downstream torne-se ainda mais competitivo?

Estamos prevendo crescimento do mercado de combustíveis neste ano, na comparação com 2018. Essa expectativa positiva se deve a uma previsão de retomada da economia brasileira neste ano, o que levaria a um crescimento no consumo de combustíveis.

Para que isso ocorra, no entanto, é preciso deixar o mercado trabalhar. Os acontecimentos do ano anterior ensinaram ao país que não há mais espaço para soluções provisórias, para intervenção do governo na economia. É preciso consolidar o conceito de liberdade de preços, de que é o mercado que faz o mercado, por meio de oferta e demanda, das refinarias até as bombas.

Com estabilidade regulatória, regras claras e previsíveis, e a prática de preços de mercados, o Brasil terá ambiente para atrair investimentos privados de até R$ 17 bilhões em melhorias de infraestrutura de importação e escoamento de combustíveis nos próximos anos.

Quais as principais frentes da Plural este ano?

Uma de nossas principais bandeiras será a simplificação tributária. A complexidade dos impostos que incidem sobre os combustíveis, especialmente o ICMS, favorece distorções que levam à concorrência desleal, sonegação e adulteração de produto. Com R$ 4,8 bilhões sonegados no setor anualmente, essa será uma de nossas principais frentes de atuação, por meio da iniciativa Combustível Legal.

Outra importante iniciativa está no fortalecimento da reputação do setor. No início deste ano, lançamos a campanha “O Brasil Abastecido Move a Economia”, para mostrar para a sociedade a dimensão da distribuição de combustíveis e sua importância para o País. Iremos promover, em diferentes fóruns, a discussão de temas como complexidade logística envolvida na distribuição de combustíveis, estrutura do mercado e composição de preços, e medidas para que a cadeia de distribuição seja ainda mais competitiva, beneficiando produtores e consumidores.