Análise setorial

O ano de 2018 começou com uma aura bastante otimista, fruto da esperança de recuperação da economia brasileira e da perspectiva de aceleração desse processo de retomada, iniciado em 2017. No decorrer dos meses, os ânimos foram baixando. Acompanhamos um restabelecimento lento, ainda marcado pelo desemprego elevado e pelo baixo poder de compra da população. Como agravante, enfrentamos as consequências e desdobramentos da greve dos caminhoneiros que aconteceu em maio e deixou o Brasil literalmente parado.

No segundo semestre, a corrida eleitoral compôs um cenário de expectativas e incertezas, o que contribuiu com o ritmo moroso de crescimento do país.

Nesse compasso, fechamos 2018 com resultados positivos, mas aquém do que era esperado, motivo de frustração para vários setores. O PIB cresceu 1,1%. O IPCA fechou o ano em 3,75%. Os índices de confiança do consumidor melhoraram. As vendas do comércio, felizmente, tiveram a maior alta em 5 anos: o varejo avançou 2,3% (dados do IBGE). No entanto, apesar de dois anos consecutivos de alta, o incremento acumulado do varejo de 4,4% (2,1% em 2017) ainda não cobriu a queda de 10,3% provocada pelos anos de recessão (2015 e 2016).

Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), houve a retomada na abertura de pontos de vendas, após três anos de sucessivos fechamentos. Chegou-se ao final de 2018 com 8,1 mil novos estabelecimentos comerciais e com aumento de oferta de vagas no setor.

Nessa conjuntura, o segmento de Conveniência apresentou resultados positivos e continuou crescendo. O faturamento total aumentou 1,5% quando comparado a 2017. Em número de lojas, o segmento teve incremento de 1,6%.

As lojas de conveniência oferecem ao cliente soluções práticas e rápidas durante sua rotina agitada, com qualidade de produtos e serviços, em um ambiente confortável, cortês, agradável e seguro. Dessa forma, seus atributos contribuem com a expansão do canal, fortalecem o formato de conveniência e favorecem a melhora de sua performance.

Assim, embora o ano tenha sido desafiador, seguimos bastante confiantes.

Highlights do mercado de lojas de conveniência em 2018

O canal de lojas de conveniência, em 2018, alcançou o faturamento de R$ 7,54 bilhões, o que representou um aumento de 1,5% comparado a 2017.

A Conveniência atingiu a marca de 8.030 lojas – 1,6% acima do ano anterior. O share de participação em número de lojas das bandeiras associadas a Plural continuou em 61%, com um total de 4.867 unidades, 71 a mais que em 2017.

Apesar da expansão do canal, a venda média por loja foi menor do que o ano anterior: R$ 94.486,00, queda de 2,7%. As lojas das associadas a Plural tiveram faturamento médio de R$ 109.205,00 e o grupo das lojas de outras bandeiras ou sem bandeira de R$ 71.836,00.

O ticket médio do canal foi de R$ 12,82 (2,2% acima do ticket médio de 2017).

Algumas oportunidades, tendências e reflexões

Foco no Food Service

“É um mundo do foodservice e lojas de conveniência devem viver nele se quiserem maximizar o crescimento e os lucros”. Essa frase foi traduzida da edição de outubro de 2018 da revista Convenience Store News, publicação do mercado norte americano de conveniência. O foco no Food Service é uma realidade do canal em qualquer lugar do planeta!

No Brasil, o segmento de Alimentação Fora do Lar cresceu 3,5% em 2018, segundo a Associação Nacional de Restaurantes. A previsão é de um aumento de 5% para o ano de 2019. A jornada atribulada na vida do consumidor faz da alimentação fora de casa – seja para uma refeição ou um lanche – quase que uma necessidade diária. Busca-se praticidade e soluções rápidas de consumo, no caminho de casa, do trabalho, da escola, do lazer. As lojas de conveniência, portanto, têm muito potencial para atender a essa crescente demanda.

Ter uma oferta competente e variada de alimentos, com excelente qualidade, garantia de procedência, seguindo todas exigências de segurança alimentar representa uma vantagem competitiva para o varejista do canal, que concorre não somente com seus pares, mas também com outros segmentos como cafeterias, padarias, cadeias de alimentação, food trucks, lanchonetes, entre outros.

“Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa”

O jargão dos anos 90 nunca foi tão atual. Ter hábitos e alimentação saudáveis é motivo de cuidado e preocupação crescentes, especialmente para as gerações Y e Z. O tema saudabilidade tornou-se frequente no varejo e, cada vez mais, as ofertas de comidas e bebidas saudáveis se multiplicam. Desta forma, o mix das lojas de conveniência precisa atender a essa demanda, com qualidade, variedade e sabor.

Frictionless Experience

Outro assunto do momento no varejo é a frictionless experience (experiência sem atrito). Fazer com que o cliente resolva a sua compra com rapidez, com o mínimo (ou a ausência) de intercorrências que atrapalhem sua jornada. O Amazon Go é um exemplo dessa proposta, na qual o consumidor entra facilmente na loja, busca o que precisa nas prateleiras e sai levando suas compras sem ter interagido com nenhum funcionário.

O autoatendimento (self checkout) – já presente no varejo brasileiro – e o pagamento biométrico também são exemplos de soluções que minimizam o tempo de permanência no ponto de vendas para as transações de compras.

Investimento crescente em tecnologia

Seja no ponto de vendas ou online – meios digitais, mídias sociais, equipamentos de ponta, totens de atendimento, e-commerce, meios de pagamento, backoffice etc.

As redes do mercado de conveniência continuam focando em eficiência em logística

Um dos maiores desafios do canal, que trabalha com volumes pequenos/fracionados, requer maior frequência de entrega de mercadorias, visa padronização de ofertas a preços competitivos e com operações eficientes.

Continua firme a expansão dos formatos de “mercados de proximidade”.

Experiential Retail

Trata-se de outro tema em voga no varejo nacional e internacional. Fazer da visita do cliente uma experiência marcante – quiçá inesquecível – com ideias “fora da caixa” passou a ser o objetivo de muitas redes para competir com o e-commerce. Algumas desenvolvem “lojas conceito” e proporcionam ao consumidor um conjunto de experiências especiais e criativas (seja com produtos, tecnologia, serviços, design/layout, ambientação, interação com a marca, atividades etc.) que irão surpreendê-lo.

Aumenta a demanda por soluções de delivery

Startups entraram forte nesse mercado (Glovo, Rappi, Uber Eats, ifood, entre outras) e firmam parcerias com importantes empresas (cadeias de alimentação, supermercados etc.).

Foco nas gerações Y e Z

Os Millennials e os Centennials são hoje os principais consumidores do mercado de conveniência. Entender como e o quê consomem, o que buscam, como pensam, como se comunicam, seus ideais e hábitos, a relação com a tecnologia e com seus smartphones representa um caminho importante a percorrer quando o objetivo do varejista é conquista-los e fidelizá-los.

Saiba mais

Destaques do Segmento - 2018

BR (BR Mania) Ipiranga (AM/PM) RaízenA (Select) TOTAL Associadas Outras e sem Bandeira TOTAL
Número de Lojas 1.344 2.493 1.030 4.867 3.163 8.030
Share # Lojas (%) 16,7% 31,0% 12,8% 60,6% 39,4% 100%
Faturamento Anual (R$ mil) 1.136.578 2.152.830 1.528.134 4.817.542 2.726.615 7.544.156
Share Faturamento (%) 15,1% 28,5% 20,3% 63,9% 36,1% 100,0%
Número de Transações/Ano (mil)B 82.188 185.114 108.532 375.834 N/A N/A
Ticket Médio (R$)B 13,83 11,63 14,08 12,82 N/A N/A
Check-outs (PDVs) 2.688 3.814 2.060 8.562 3.479 12.041
Número de Empregados DiretosB 8.064 14.335 9.818 32.217 N/A N/A
Número de Empregados IndiretosB 59.234 59.832 39.327 158.393 N/A N/A
Área Média (m2) 68,6 58,5 81,8 66 40 56
Faturamento Mensal Ponderado Loja (R$)C 82.516 110.899 139.931 109.205 71.836 94.486
Faturamento Mensal/Área média (R$/m2) 1.203 1.896 1.711 1.649 1.784 1.687

 

Fonte: Nielsen/Plural
A. A Raízen utiliza nos postos a bandeira Shell.
B. Somente informações das associadas a Plural
C. Média mensal ponderada considerando os meses em que as lojas estiveram funcionando.

Distribuição Geográfica - Quantidade de Lojas por UF - 2018

Regiões BR Ipiranga Raízen Total Associadas Outras e sem Bandeira Total Loja/Posto (%) Postos
  • 110
  • 110
  • 36
  • 256
  • 585
  • 841
  • 23%
  • 3.594
DF 26 10 12 48 120 168 53% 319
GO 24 51 10 85 96 181 11% 1.676
MS 27 21 5 53 157 210 35% 596
MT 33 28 9 70 212 282 28% 1.003
  • 258
  • 273
  • 160
  • 691
  • 428
  • 1.119
  • 11%
  • 10.318
AL 16 17 8 41 29 70 14% 506
BA 62 44 45 151 167 318 11% 2.814
CE 48 40 32 120 65 185 12% 1.559
MA 13 42 14 69 68 137 10% 1.365
PB 15 14 6 35 16 51 7% 743
PE 52 62 41 155 30 185 13% 1.477
PI 6 32 6 44 6 50 5% 951
RN 29 17 4 50 41 91 15% 601
SE 17 5 4 26 6 32 11% 302
  • 58
  • 127
  • 41
  • 226
  • 55
  • 281
  • 9%
  • 3.027
AC 3 1 0 4 1 5 3% 166
AM 12 13 15 40 17 57 9% 621
AP 0 7 0 7 1 8 6% 127
PA 23 64 18 105 20 125 11% 1.124
RO 8 23 4 35 5 40 8% 498
RR 1 0 0 1 1 2 2% 109
TO 11 19 4 34 10 44 12% 382
  • 611
  • 1.071
  • 561
  • 2.243
  • 1.302
  • 3.545
  • 22%
  • 15.965
ES 22 36 21 79 30 109 16% 685
MG 88 110 49 247 150 397 9% 4.380
RJ 119 166 112 397 52 449 23% 1.931
SP 382 759 379 1.520 1.070 2.590 29% 8.969
  • 307
  • 912
  • 232
  • 1.451
  • 793
  • 2.244
  • 28%
  • 7.885
PR 104 273 102 479 495 974 36% 2.727
RS 140 418 57 615 143 758 24% 3.161
SC 63 221 73 357 155 512 26% 1.997
Total Brasil 1.344 2.493 1.030 4.867 3.163 8.030 20% 40.789

 

Fonte: Nielsen

PARTICIPAÇÃO DE MERCADO 2018 - NÚMERO DE LOJAS (%)

DISTRIBUIÇÃO REGIONAL DA REDE DE LOJAS - 2018 (%)

Faturamento do mercado total (R$ milhões/ano)

Fonte: Nielsen

Evolução da quantidade de lojas - Mercado total

Fonte: Nielsen/ Plural